
Suzy
Suzy nasceu em Budapeste em 1944. Nasceu em meio a final de guerra. Meses depois pesava menos do que quando nasceu. A paralisia em uma das pernas aconteceu pequena ainda.
Pós guerra, conseguiu sair do país dominado pelos soviéticos escondida dentro de um caminhão de feno, juntamente com sua mãe e seu irmão. Seu pai morreu na guerra anos atrás.
Veio se tornar brasileira em 1949 quando chegou ao Rio de Janeiro. Os primeiros anos no Brasil foram muito complicados, devido à necessidade de morar em um orfanato, longe de sua mãe e seu irmão. Lá sofria maus tratos da governanta e sempre que podia juntava moedas trabalhando de carregadora de sacolas na feira, para poder ligar de um telefone publico para sua mãe, era a forma de aquecer seu coraçãozinho. Elas se encontravam uma vez a cada duas semanas, uma final de semana com a filha e outro com o filho. Os irmãos quase não se encontravam. Seu irmão ficava em outro tipo de internato.
Os anos passaram e quando completados seus nove anos de idade, sua mãe casou-se novamente e então formando uma nova família e com uma casa para morar, Suzy e seu irmão voltaram a morar juntos com sua mãe e um novo pai que a adotou com o máximo de amor e assim Suzy conseguiu ver uma luz no final do túnel.
Deste momento até a sua maior idade não mais passou dificuldades. Ela dizia que um dia Deus veio lhe falar : a partir de agora você vai ser feliz! E foi, levou esta frase consigo o resto de sua vida e em todas as dificuldades que ainda haveria de passar, sempre sobressaiu esta frase e desta forma passava por cima das dificuldades e seguia seu caminho, sempre com energia positiva, sempre resolvedora de problemas e solucionadora de dificuldades, seja dificuldades delas ou de outras pessoas.
Mushkil Gusha .
Os anos foram passando... Se formou na faculdade, casou-se três vezes, cada casamento durou mais ou menos 10 anos... A primeira vez fazendo acontecer o sonho de toda garota, que sonha com o príncipe encantado, casamento com véu e grinalda, formando família, nascendo filhos, fazendo a vida financeira se realizar, encontro com amigos e festas, passeios e viagens pelo mundo em momentos de férias.
O segundo casamento, foi a segunda tentativa de uma nova família. Foi morar em uma nova cidade, formar um centro cultural de pesquisas e desenvolvimento humano, difundir um novo método de psicanalise e terapia, criando uma rede de relacionamento enorme e iniciando algo totalmente virgem em Minas Gerais e se espalhando pelo brasil e pelo mundo. Posso dizer que foram revolucionários, ela e seu novo marido. Os anos passaram, os filhos cresceram e o casamento se desfez novamente.
Veio então sua ultima tentativa de se unir a um homem e seu terceiro marido apareceu e junto dele foi criar uma nova rede de relacionamentos. Organizadora pegou uma desorganização total e fez funcionar, utilizou toda sua experiência para organizar e proporcionar um alavancar nos trabalhos de seu novo marido. Mas este não durou também e ficou para trás.
Criou grupos, cursos e passou o resto de sua vida transmitindo o que conhecia e ensinando quem queria aprender o que ela tinha para ensinar.
Suzy viveu 67 anos de uma vida cheia de aventuras e de variados assuntos, e dizia que já estava bom e já tinha vivido um pouco de tudo e que se as janelas se fechavam que então ela tinha que aceitar este processo inevitável de cada ser humano e foi assim, o reinado dela havia terminado.
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Ela descobriu há alguns anos, mais ou menos em 2009, que estava com câncer de mama.
Escolheu os métodos tradicionais, fez radioterapia e desta forma acreditou que este “problema” teria sido controlado definitivamente. Com acompanhamento contínuo dos médicos fez todos os exames recomendados e após um ou dois anos foi constatado que havia criado uma metástase no corpo inteiro e que já estava tomando o cérebro e órgãos internos.
A solução sugerida foi imediatamente fazer radioterapia localizada no cérebro e sequencialmente iniciar o tratamento de quimioterapia, pois o estado da doença se encontrava muito avançado.
Desta forma, com o laudo medico, iria se conquistar uma “qualidade de vida” por um período de mais ou menos dois anos.
Indagado em relação a taxa de veracidade nessas informações, o medico relutante a prestar reais informações falou que não havia constatação de sobrevivência em relação ao quadro clinico apresentado.
Desta forma ficou claro que escolhendo esta alternativa, não existia a chance de sobrevivência.
A radioterapia foi aplicada para supostamente criar tempo para se avaliar o impacto da descoberta da catástrofe.
Com a clareza de que a quimioterapia não iria curar o câncer ou as chances de cura eram mínimas e sim somente prolongar o tempo de vida e juntando todas as informações, ela decidiu não fazer a quimioterapia.
Ela aceitava a morte e aceitava a vida ao mesmo tempo e dessa forma em momentos acreditava que ela daria a volta e desejaria viver e em outros momentos entendia que era apenas a forma de se entregar e aceitar seu destino.
Foram momentos de aprendizado para todos e para minha mama querida também.
Ela foi embora desta vida no dia 9 de dezembro de 2011 na sua cama, sem dor e sem utilizar nenhum remédio ou algo paliativo para enganar alguma situação, em total conexão com seu Ser, com postura serene, tranquilizadora e em paz.
Escrito por
Sergio Stroke Igel
Última atualização ( Seg, 07 de Maio de 2012 18:49 )