DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS ENTRE O HOMEM E A MULHER
(Setembro 2009)
Nos últimos tempos tem se falado muito das diferenças entre os sexos. Várias publicações indicam como cada um funciona de maneiras diversas com o objetivo de encontrar maior compreensão e mais tolerância de ambas as partes.
Tenho me dedicado a observar mais detidamente onde estão e como são realmente as nuances dessas diferenças, buscando maneiras e possibilidades de utilizá-las como complementos interessantes no crescimento individual e relacional. Além disso, tenho buscado semelhanças - e encontrei muitas - porém, em geral, são pouco valorizadas por estarem reprimidas e esquecidas atrás dos conflitos gerados pelas diferenças mal utilizadas.
Desde os tempos primitivos o homem e a mulher foram sendo definidos como opostos e, justamente por serem opostos, poderiam e deveriam se complementar. No entanto, somente eram percebidos os aspectos opostos superficiais e mais evidentes.
O homem muito mais forte fisicamente e muito mais racional que a mulher, funcionando mais a partir da cabeça e naturalmente designado a proteger a mulher e a prole, além de ser aquele que deveria trazer o alimento para a família. A mulher obviamente foi se habituando aos serviços domésticos e aos cuidados com os filhos, provendo o homem com um lar que o recebesse ao retornar de suas constantes conquistas e caçadas.
Como o homem era aquele mais voltado para o mundo externo, foi assumindo um poder e um lugar de destaque nas sociedades que iam se formando. As decisões mais (ou até as menos) importantes eram tomadas por ele. A mulher acompanhava e muito esporadicamente tinha voz para mudar o rumo dos acontecimentos e, mesmo quando isso acontecia, sua voz nunca era expressa de forma pública ou visível.
O regime patriarcal se definiu e se instalou há mais de 5 mil anos (tal como a história oficial transmite). No século XX o homem ainda ocupava esse lugar de maior influência externa, pois a era patriarcal ainda imperava.
A partir de meados do século passado começaram a acontecer movimentos que balançaram esse status quo vigente há tanto tempo no nosso planeta.
O que foi acontecendo?
A mulher se fez mais presente e muito rapidamente começou a ocupar lugares antes ocupados somente por homens.
Passo a focalizar o homem e a mulher dentro das relações mais íntimas (sejam elas familiares ou outras).
O que mais chama a atenção é perceber que, em geral, os homens estão muito solitários, muito fragilizados internamente e com poucos recursos para tocar, compreender e integrar a dor profunda que consome suas capacidades e seu potencial como ser humano. A visibilidade no mundo externo continua; no entanto, o dispêndio de energia para manter o conhecido e negar as mudanças evidentes está gerando um desequilíbrio cada vez maior, com sintomas psicossomáticos galopantes.
Muitos homens buscam a companhia masculina em rodas de bares, porém, ocupam o tempo apenas com conversas superficiais, evitando tocar qualquer coisa que seja mais pessoal ou íntima, o que mantém e cristaliza a inconsciência de si e do outro, assim como máscaras externas que já não convencem.
Os homens estão vivendo um momento de muita perplexidade e confusão com relação ao mundo feminino, justamente pela dificuldade de expressão e comunicação, e agravado por não terem conseguido ainda compreender e transformar o papel patriarcal que exerciam (não questionado até pouco tempo atrás). Atualmente se sentem desprovidos de um lugar claro e definido, perdendo os papéis e não encontrando outras formas de se posicionar.
O valor masculino era condicionado apenas ao aspecto de provedor, de formar uma família, principalmente de ter filhos que lhe garantissem a continuidade e a comprovação de sua virilidade, e buscando conquistar o poder por meio da supremacia e autoridade sobre outros (seja a nível econômico, status social e/ou político).
O homem não era questionado e não tinha sido educado nem treinado para ter explicações, justificativas ou embasamentos mais profundos e sólidos com relação a qualquer tema que envolvesse valores ou pensamentos além daqueles aceitos como premissas básicas em seu ser homem. Isto é, o fato de ser homem já lhe dava superioridade frente à mulher, juntamente com o poder de ocupar o lugar de “chefe”. Isso era mais do que suficiente e necessário.
Surgiram termos populares para definir estes papéis, dentre eles, o mais conhecido tem sido “machismo”, como uma forma encontrada pelo mundo feminino para confrontar e, ao mesmo tempo, minimizar a influência patriarcal. Entretanto, essa forma é implicitamente carregada de ofensas que fecham e distanciam o homem da mulher.
O grande susto e perplexidade do mundo masculino tem sido justamente estar sendo questionado e não ter respostas adequadas para as inúmeras perguntas, críticas e demandas que surgem por parte da mulher, nos diversos âmbitos em que se encontram.
A mulher, por sua vez, ao obter mais espaço e conquistar lugares que lhe têm proporcionado maior valorização, está pecando em assumir características masculinizadas, perdendo aspectos femininos essenciais à sua evolução e ao equilíbrio necessário para que estes dois seres se entendam e se complementem.
Tenho presenciado diversas situações em que casais não conseguem dar continuidade a conversas mais simples, pois parece que falam línguas diferentes. Às vezes até usam palavras ou frases semelhantes, mas com significados (não expressados) completamente opostos.
O homem sente-se pressionado a se transformar em alguém que ele simplesmente desconhece. Sua maior reclamação (no âmbito da relação conjugal) tem sido que a única coisa que as mulheres querem é “discutir a relação”. E gasta uma quantidade enorme de energia para se desviar de qualquer tentativa da mulher de estabelecer uma comunicação centrada em temas que ele “cheira” como “perigosos”. Esta sinalização de “perigo” envolve assuntos que podem colocá-lo em cheque, justamente quando sente não ter respostas adequadas ou vê seu lugar – anteriormente intocável – ameaçado. É como um rei sendo privado de seu trono e sua coroa.
A mulher, por sua vez, tem se baseado em atitudes de superioridade e cobranças infinitas, sem perceber que implicitamente vai à revanche pelos milênios de inferioridade e submissão, além de estar dando murro em ponta de faca, deteriorando a relação em vez de abrir novas possibilidades. Ela quer um homem ao seu lado, e o quer másculo, viril, potente, mas também terno, compreensivo, companheiro. No entanto, com suas demandas, empobrece, fragiliza e castra o homem e, na melhor das hipóteses, acaba tendo ao seu lado um ser infantilizado e dependente.
Abordamos em linhas gerais as diferenças e as dificuldades que ambos os sexos estão vivendo.
E as semelhanças?
Pois elas são as que estão mais escondidas e que afloram disfarçadas de diferenças. Ou seja, tanto o homem, como a mulher são pessoas carentes, sensíveis e desejosas de compreensão, aceitação e amor. Ambos querem a mesma coisa, sentem falta das mesmas coisas, gostariam de obter as mesmas coisas, porém, cada um esquece que o outro está exatamente na mesma condição.
Em vez de tentar forçar a barra para que o outro nos entenda (por meio de um egocentrismo exacerbado), imaginando que essa será a solução definitiva para os problemas, quem sabe, a panaceia seja escutar mais o outro, interessar-se mais pelo outro, querer realmente saber o que se passa com o outro e abrir mais as próprias carências sem que isso implique em que o outro tenha que cobri-las.
Finalmente, cada homem e cada mulher foram, um dia, crianças pequenas que partiram de lugares muito semelhantes, com diferenças constitucionais, porém, simplesmente humanos, com capacidade de expressão livre e espontânea. Com o passar do tempo e com as influências recebidas do ambiente familiar (e do entorno sociocultural), as diferenças foram aparecendo e, ao mesmo tempo, criando abismos entre os sexos, formando os tipos de personalidade (ego ou caráter) que aprisionam a essência de cada um.
Penso que o grande salto capaz de permitir a evolução individual e uma convivência gratificante, alegre e satisfatória passa pelo caminho em que um homem e uma mulher se abram ao intercâmbio e à complementaridade de suas diferenças dentro de um espaço onde haja aceitação ativa e compreensão compartilhada. E sabendo que nenhum é melhor nem superior ao outro, mas, sim, ambos necessários, capazes e fundamentais para começar a re-criar ou re-construir um mundo que foi criado por Deus (ou como queremos chamar) com homens e mulheres, cada qual com funções específicas a serem re-descobertas e, principalmente, recordando que são seres semelhantes ao Criador.
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Última atualização ( Sex, 02 de Outubro de 2009 14:16 )









