A CHAVE DO PENSAMENTO
(Fevereiro 2010)
Esse tema surgiu no dia em que a minha neta Mariana (com 6 anos) chegou perto de mim, enquanto eu estava trabalhando no computador -- como sempre -- diz ela, e me perguntou: “oh vó, existe uma chave prá parar o pensamento?”
Eu parei imediatamente o que estava fazendo, e dei toda minha atenção à Mariana. Disse a ela: se voce descubrir isso voce vai ganhar um premio enorme, porque isso daí é o que as pessoas mais necessitariam saber.
A partir desse dia eu focalizei na “chave do pensamento” da Mariana. Percebi que de diversas formas eu já vinha utilizando algo que poderia ser definido como uma “chave,” mas nunca tinha pensado que aquelas propostas que fazia em meus grupos poderiam ser aperfeiçoadas em uma ferramenta simples e ao alcance de qualquer um.
É muito frequente sentir a cabeça como um emaranhado de pensamentos que muitas vezes são como ruidos mentais que desgatam a energia e impedem a utilização do centro intelectual adequadamente. Em outros momentos é como estar sendo invadido por pensamentos que se assemelham a tentáculos que dominam, envolvem e levam a pessoa a fazer coisas destrutivas para si mesmo e para os demais.
Os pensamentos invasivos são como motores que acionam emoções, sensações e ações, que não passam pelo crivo mais profundo (essencial), e não são questionados. Se tornam entidades com vontade propria, produzindo uma retro-alimentação nociva ao ser como um todo.
Esses pensamentos são baseados em crenças geralmente originadas na infancia, e que são como parasitas que ocupam a mente.
Vejamos, por exemplo, uma pessoa que tem a tendencia a sentir-se perseguida, acusada ou menosprezada por outros, tem um conjunto de pensamentos repetitivos que a invadem como forma de confirmar as premissas habituais. As vezes basta uma palavra ou um gesto de alguém para acionar a cadeia de pensamentos invasivos tipo “ele está com raiva de mim,” “não gosta mesmo de mim,” “certamente falaram algo de mim que o fez me olhar dessa maneira.”
Uma outra pessoa que tem tendencia a querer ser um sucesso continuo, gasta uma enorme quantidade de energia ensaiando na sua mente futuras conversas, futuros encontros, programando-se para ter todas as possiveis respostas com o objetivo de ser aplaudido e reconhecido como um ser especial. Posteriormente esta mesma pessoa será invadida por pensamentos críticos de si mesmo e dos demais, além da invasão de outra cadeia que envolve todas as possibilidades que deveria ter dito ou feito.
Ainda como ilustração, uma pessoa que é mais introvertida do que extrovertida, frequentemente prefere estar mais sozinha, e durante seus periodos de isolamento social/familiar preenche seu tempo dando asas a sua imaginação, fantasias, sonhos, e com isso se ilude de que está vivendo.
É patente e comprovado que os pensamentos tem força própria, influem diretamente no psiquismo e consequentemente no comportamento e nas ações da vida como um todo.
Não se pode minimizar a importancia de palavras ditas e/ou pensadas como se fossem apenas palavras sem maiores implicações.
Por exemplo, pensar ou dizer “eu não sei tal ou qual coisa,” ou “eu nunca consegui fazer tal ou qual coisa,” ou ainda “eu sou uma pessoa basicamente insegura e medrosa,” são afirmações categóricas que limitam o campo de ação da pessoa que as pensa (ou diz). Poderiamos acrescentar frases subjetivas de acordo com a vivencia e experiencia de qualquer individuo em diferentes partes do planeta e que funcionam constantemente da mesma maneira, isto é, atrofiando a capacidade cognitiva, emocional e de ação da pessoa em questão.
O que acontece quando uma pessoa pensa ou diz alguma das afirmações acima?
Todo o sistema é influenciado por essas palavras. E a cada afirmação a pessoa se convence que realmente é o que as palavras significam: incapaz, medrosa, insegura, superior, importante, super especial, etc.
Com este convencimento continuo, o individuo não tem condições de abrir novas possibilidades, ou pelo menos questionar suas “verdades absolutas.”
É também importante perceber que para usar a “chave do pensamento” que descreverei a seguir, é necessario um mínimo de consciencia de si, no sentido de poder detectar os pensamentos invasivos, repetitivos, compulsivos, e a partir daí decidir quais quer eliminar de seu sistema. É uma decisão individual, assim como a transformação dos pensamentos também é individual, pois ocorre dentro de cada pessoa. [1]
Descrição do método:
1- detectar os pensamentos que queira eliminar
2- escolher uma frase curta, se possível não mais de 5 palavras, com as quais pretende cortar o pensamento invasivo. Por exemplo: “não quero pensar isso.” “Não me interessa.” “Isso não sou eu.” Ou outras frases curtas que cortem o pensamento.
3- O fundamental é não entrar em discussão mental consigo mesmo, tipo “eu não vou pensar assim porque isso me leva a ficar me sentindo não sei de que jeito, e blá, blá, blá ...” Exatamente esse tipo de discussão mental é a que ocorre frequentemente e é a que nutre a avalanche de pensamentos em cadeia, ocupando o espaço mental, gastando a energia do sistema e impedindo novas possibilidades.
4- Será necessario repetir muitas vezes o corte dos pensamentos invasivos. Em cada corte eles perdem força, e imediatamente se desvanecem, desaparecendo da mente. No entanto, voltam repetidamente. Portanto, é necessario manter a atenção e a decisão dos cortes, até que depois de um tempo razoável dessa prática, os pensamentos não retornam mais, ou muito esporadicamente, o que significa que foram dominados.
Resumindo, a “chave do pensamento” se reduz a uma prática simples que está nas mãos de qualquer pessoa utilizar de forma constante e continuada.
Decidi chamá-la “chave” porque na verdade é uma chave que pode trancar e isolar os pensamentos invasivos, limitantes e destrutivos, permitindo que se abra a grande parte criativa, pouco conhecida e pouco utilizada do cérebro.
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