ACUSAÇÃO VERSUS COMPREENSÃO
(Janeiro 2008)
A acusação é um dos elementos mais frequentes que causam desarmonia, distância e ressentimento em uma relação interpessoal.
Acusar significa apontar erros, defeitos e incapacidades, com o objetivo de mudar o outro – acrescido de que a mudança é para o bem do outro. A mudança própria fica em segundo plano ou, talvez, nem é questionada.
Aquele que acusa parte do princípio que tem razão na sua maneira de ver a vida, desde os temas mais triviais até assuntos fundamentais dentro da relação.
A acusação pode ser praticada tanto de formas agressivas, como de formas diplomáticas e inclusive delicadas.
Podemos ver claramente como manter nossa mente ocupada em buscar responsáveis por nossa vida, nossas dificuldades e nosso sofrimento nos afasta da possibilidade de amar e ser amado.
Nós nos empenhamos em supor que quando finalmente o outro entender nossas razões, quando finalmente o outro mudar seus “erros” e seus “equívocos”, então, finalmente poderemos ser felizes. Isso ocorre em quase todas as relações interpessoais, porém mais intensa e continuamente nas relações em que existe mais intimidade.
É bastante paradoxal, pois atuamos com mais exigência e mais demandas onde nos sentimos mais seguros e mais queridos, pois essa mesma intimidade e segurança nos permite mostrar aspectos mais escondidos de nós mesmos, os quais não expressamos em outros âmbitos menos “seguros”, justamente porque existe uma percepção de que tais atitudes poderão causar dificuldades ou mesmo rejeição. Nas relações mais íntimas contamos com o fato de que o outro nos quer (supomos, incondicionalmente). Esses mesmos aspectos que avaliamos como “nossa razão”, “nossa verdade incontestável” se transformam – distorcidamente – em pré-requisitos para que a relação possa ter continuidade e inclusive felicidade. É quase como uma prova de amor: “se você me amasse realmente, você mudaria”.
Podemos dar a volta a essas tendências tão daninhas e destrutivas com um movimento em direção a nós mesmos. Simplesmente começando por questionar cada acusação que fazemos ao outro, perguntando-nos o porquê e para quê fazemos ou pensamos com essas afirmações tão absolutas, como se não existisse alternativa para encontrar um caminho de saída de nossos conflitos interpessoais.
Paralelamente ao processo de questionar nossas “verdades absolutas” podemos começar a colocar-nos no lugar do outro, buscando compreensão de como é o outro, o que pensa, o que sente e por que pensa, sente e atua de tal ou qual maneira.
Com esse movimento já é possível abrir-se um caminho novo que possibilita um encontro, diálogo e abertura para deixar fluir sentimentos mais generosos. A partir daí também surge um espaço construtivo, criativo e, sem dúvida alguma, mais amoroso.
(Extraído de um Workshop sobre Relações Interpessoais no norte da Espanha, 2007).
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Última atualização ( Qua, 05 de Agosto de 2009 21:33 )









