COMUNICAÇÃO
(Abril 2008)
Como podemos ver nos textos anteriores, a comunicação é fundamental para construir pontes entre as pessoas que querem manter uma relação saudável e que querem crescer juntas, ajudando-se mutuamente.
Aprendemos que comunicar significa usar a palavra como meio de ocupar um espaço que, de outra maneira, ficaria vazio ou mesmo constrangedor.
Falamos com um conteúdo que se define como “essencial” e que se transforma em repetições automáticas. Como, por exemplo, fatos ocorridos no dia-a-dia, noticias políticas ou outras que saem nos jornais e televisão, comentários sobre os graves acontecimentos mundiais, mexericos sobre outras pessoas, dificuldades ou sucessos dos filhos, conquistas ou decepções na vida profissional.
Estes temas são considerados um intercambio suficiente dentro das famílias e também nas relações sociais e profissionais.
Algumas pessoas, de acordo com o seu caráter ou personalidade, são definidas como mais comunicativas, e outras menos ou nada comunicativas.
O mundo das primeiras é visto e reconhecido como aquele de pessoas abertas, que não escondem nada de si mesmas. Várias vezes escutei algumas me dizerem que “sou um livro aberto”. E realmente se poderia definir como um livro aberto... de superficialidades. Essa extroversão, sociabilidade ou capacidade de ocupar o seu espaço no mundo pode ser uma grande armadilha para manter-se escondida, alheia e inconsciente a nível mais profundo, não só dos demais, como também e principalmente de si mesma.
As pessoas mais introvertidas, que se sentem mais tímidas e fechadas na capacidade de comunicar-se, em geral, são observadoras e também muito mais preocupadas com sua própria dificuldade de se expor do que com a necessidade de construir pontes que permitam a interação.
As primeiras estão paralisadas na compulsão da superficialidade, as outras estão paralisadas na compulsão de evitar a possível rejeição ou crítica vinda do exterior.
Em linhas gerais, podemos dizer que não aprendemos a conhecer e reconhecer nossas capacidades, nossas dificuldades, nossos desejos e necessidades. Aprendemos, isso sim, a nos proteger e isolar, mesmo estando de corpo presente, vivendo com medo de que, ao nos expormos mais intimamente, o mundo nos causará danos irreparáveis.
Mesmo nas relações consideradas íntimas, nos é difícil e penoso abrir nossos reais sentimentos, pensamentos e valores. Perdemos assim grandes oportunidades de aprender uns com os outros, além de perdermos também a possibilidade de evoluir através de questionar ideias fixas que nos limitam e paralisam.
A comunicação é um caminho em si, e necessita ser trilhado passo a passo. O primeiro passo é justamente reconhecer a dificuldade e autoengano na maneira com que estamos acostumados a nos comunicar, e que supomos ser o “normal”. A partir desse reconhecimento, sem dúvida, surge o conflito entre “necessito me soltar mais” e “sinto medo de fazê-lo”. A saída é arriscar-se, escolhendo para isso pessoas das nossas relações que valorizamos e com as quais haja um mínimo de confiança no bem querer mútuo.
O caminho estará aberto e disponível para ser descoberto. Basta seguir em frente, treinando a comunicação, sabendo que será constrangedora, inibida, insegura, desajeitada, no principio. Porém, obtendo mais e mais fluidez e satisfação a cada decisão consciente de assumir o risco e confiante no desejo sincero de estabelecer relações mais verdadeiras na nossa vida.
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Última atualização ( Qua, 05 de Agosto de 2009 21:35 )









