SEXUALIDADE
Por que abordar este tema? Na minha visão este é um tema central na vida de todos, estejamos ou não vivendo a dois. Além disso, também faz parte do nosso cotidiano o fato de que a sexualidade continua sendo tabu em nossa cultura. Justamente por isso temos ainda muitas dificuldades em viver natural e integralmente a nossa sexualidade.
Houve mudanças muito significativas desde os meados do século passado em que vários paradigmas foram sacudidos e as posições do homem e da mulher passaram não só a ser questionadas, como também reavaliadas e modificadas em um curto espaço de tempo e de forma contundente.
A mulher saiu da sombra do homem e passou a ocupar um lugar por si mesma, seja nos âmbitos social, profissional e político, além de mais obviamente no âmbito familiar.
Estamos vivendo explicitamente desencontros muito frequentes em que a mulher tem exigido do homem atitudes e posicionamentos aos quais ele não foi preparado para responder. Assim, é evidente o desconcerto, a perplexidade e o susto que se percebe no homem, em geral por não poder compreender o que ocorre, tentando satisfazer à mulher sem realmente saber por onde começar, e ainda se sentindo muito arraigado aos hábitos que foram vigentes durante muitos séculos com relação ao que definia o ser masculino e o feminino.
Existe ainda muita inibição e repressão com respeito à expressão da sexualidade.
É muito comum ainda viver a sexualidade em torno à experiência genital unicamente, sobretudo em torno à perseguição do orgasmo como meta e confirmação da satisfação, sendo a sexualidade definida como “satisfatória e bem vivida” quando o orgasmo é conseguido.
O homem ainda se sente responsável pelo orgasmo da mulher, portanto pode facilmente cair em um descrédito de sua masculinidade caso a mulher não demonstre a satisfação esperada.
Como consequência também ocorre que a mulher aprende a representar essa satisfação para não frustrar, nem possivelmente perder o homem, como também para manter a imagem de “boa amante” e “mulher liberada”. Nestes casos, a mulher se distancia de seu próprio ritmo e verdadeiro desejo, chegando a perder totalmente o contato com a sua energia sexual individual.
Em diversas relações é frequente a utilização da sexualidade como moeda de intercâmbio: “se você me der tal coisa eu te dou tal outra, caso contrário nego o que você mais quer”. E isso tem acontecido tanto com homens como com mulheres.
A dificuldade de comunicação de forma clara e sincera, os contínuos desencontros e o desconhecimento do próprio corpo, incluindo a inconsciência de sua energia sexual a um nível sutil e profundo, desembocam com frequência em uma sublimação do sexo, no desinteresse e na negação em explorar e expandir a própria sexualidade, tanto individualmente, como também dentro da relação a dois.
Às vezes ocorrem tentativas de viver o sexo somente como válvula de escape de tensões e confirmação da masculinidade e feminilidade, transformando os encontros em meros exercícios físicos desconectados do todo.
O homem aprendeu, em nossa cultura, a medir sua masculinidade pelo tamanho do pênis e pela quantidade de pessoas com as quais manteve relações sexuais. A mulher aprendeu a usar sua sexualidade e seu corpo para obter contato afetivo e sentir-se desejada.
Em linhas gerais, esses aprendizados têm causado as maiores frustrações, além de acusações mútuas que provocam um abismo dentro de relações que deveriam ser as mais próximas e íntimas. É patente perceber o quanto a integração do prazer se torna impedida, os canais que propiciam a criatividade e a saúde psicofísica se mantêm obstruídos e a evolução do ser humano, em níveis menos aparentes e mais sutis, permanece estagnada.
O caminho mais imediato e mais fácil para restabelecer a fluidez da energia sexual é, a meu ver, reconhecer, explicitar e se propor a mover-se em torno aos aspectos, atitudes e comportamentos que têm dificultado e/ou impedido a integração da sexualidade na própria vida como um todo.
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Última atualização ( Qua, 05 de Agosto de 2009 21:39 )









