O QUE É SER FELIZ?
(Setembro 2008)
Escolhi este tema por ser um que muito frequentemente aparece em conversações, desde as mais amenas até as mais profundas. Queremos ser felizes, queremos encontrar a felicidade, queremos resgatar felicidades perdidas.
É também muito comum vivermos esse desejo como se fosse uma miragem, algo que está logo ali, e que falta pouquinho para alcançar. Quantas vezes deixamos de viver o momento presente – no qual tudo o que é necessário está acontecendo – e desviamos nossa atenção para algo mais além, imaginando que a tão almejada felicidade está na próxima esquina.
Cada um de nós tem uma ideia, um pensamento especial sobre o que traria essa felicidade. Algumas pessoas imaginam que ser feliz seria ter todo o dinheiro que pudesse comprar as coisas materiais propagandeadas pela era do consumismo. Outras pessoas sonham com um príncipe ou uma princesa encantados que transformarão a vida em um paraíso. Outros ainda esperam que o mundo mais próximo e mais distante se ocupe dos problemas e dificuldades, para então poder ser feliz.
Existem, sim, momentos de graça, aqueles nos quais realmente estamos em contato com o todo e nada nos falta. Nós nos sentimos em paz e satisfeitos com o que é a nossa vida tal como é, sem mais nem menos. Outras vezes, à custa de bastante investimento em um trabalho interno, chegamos a compreender o que significa “ser feliz”.
Na minha experiência, tanto pessoal, como testemunha de outras pessoas, pude aprender que o que impede a felicidade na nossa vida é justamente a ideia que temos sobre ela. Os pensamentos nos levam a buscar a felicidade em lugares onde ela certamente não se encontra.
A Tradição Sufi utiliza contos como meios de ensinamento e em vários deles há um personagem mitológico que surge de diversas formas, variando de acordo com a mensagem do conto. Nasrudin é o nome desse personagem. E o conto a seguir transmite plenamente como o ser humano, em geral, desvia-se do caminho.
"Um dia Nasrudin estava em uma pequena praça pública onde havia um poste iluminando a praça, agachado no chão buscando algo. Buscava e buscava, sem encontrar. Um amigo se aproximou e lhe perguntou:
- Nasrudin, o que você está procurando?
- Estou procurando a chave da minha casa.
- Então vou te ajudar.
E o amigo se agachou e começou a procurar a tal chave. Depois de certo tempo, sem encontrar nada, o amigo pergunta a Nasrudin:
- Você tem certeza que a perdeu aqui?
- Não, eu a perdi na minha casa.
- Então, por que você está buscando-a aqui?
- Porque na minha casa está escuro, e aqui tem luz".
Esta tem sido a nossa condição. Estamos buscando a felicidade onde imaginamos que esteja, sem levar em conta os múltiplos indícios de que ela está dentro de nós mesmos.
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Última atualização ( Qua, 05 de Agosto de 2009 21:39 )









